Mercado de Bruxelas

O projeto de ORG Permanent Modernity busca dar presença cívica a comunidades que até momento operavam de maneira informal e parcialmente oculta.

Fotografia Filip Dujardin

Por definição, os mercados são condensadores sociais onde se diluem as divisões de classe, do idioma, e de muitos outros fatores possíveis, onde o objetivo principal é a troca de mercadorias. Apesar da proliferação dos supermercados, hipermercados e dos centros comerciais, o mercado subsiste por sua história. É parte da sociedade desde que a humanidade começou a trocar bens, e encontra a sua origem na Babilônia, no Egito, e mais tarde na Grécia e em Roma. Existem atualmente mercados de grande escala em todas as cidades importantes do mundo, e eles congregam milhares de pessoas diariamente.

Fotografia Filip Dujardin

O Mercado de Bruxelas se encontra em um bairro de imigrantes, a menos de 2,5 quilômetros da estação central da cidade. O projeto inclui instalações de produção industrial de carne, diferentes tipologias de bancas de venda, logística, estacionamento e uma granja comercial, situada em seu terraço, com programas de venda varejista e um restaurante “da granja à mesa”.

O edifício do mercado, inaugurado em junho de 2015, foi o primeiro passo arquitetônico em direção à realização do plano para o Meat Market District, que descreve a conversão gradual de um matadouro industrial em um contexto urbano de uso misto.

Implantação

O projeto procurou dar presença cívica a algumas comunidades que até este momento operavam de maneira informal e parcialmente oculta. Deste modo a arquitetura do mercado representa muito mais do que um edifício e cumpre um novo papel social. Atualmente, grande parte dos habitantes de Bruxelas são estrangeiros, e a desigualdade está em seu maior nível histórico. Por este motivo, a capital belga luta para definir um espaço comum com aspirações compartilhadas que não dependa dos interesses ou da hegemonia de um único subgrupo dentro da totalidade da população. A procura de uma nova identidade social foi um dos motores que guiaram a arquitetura e o urbanismo propostos pelo escritório ORG Permanent Modernity.

Térreo
1° andar

Segundo Adorno “A arquitetura digna dos seres humanos considera os humanos melhores do que realmente são”[1]. Com isto em mente, o escritório criou uma arquitetura que fosse otimista sobre as possibilidades de combinar o pluralismo cultural com uma reivindicação de valores fundamentais, que possam ser compartilhados em todo o espectro da heterogênea trama social.

[1] Architecture worthy of human beings thinks better of men than they actually are”. Adorno, Theodor, “Functionalism Today”, transcrição da conferência “Zum Problem des Funktionalismus heute” realizada em 1965 na Akademie der Künste at Hanseatenweg.

Vista
Corte

Os mercados simplificam as relações humanas a transações que são mutuamente proveitosas, diluindo as fricções que podem resultar da diversidade cultural de seus protagonistas. A arquitetura pode dotar esta ação de um novo sentido de dignidade; é capaz de potencializar a dimensão do ritual da transação e transformar algo cotidiano em um fato cultural.

Fotografia Filip Dujardin

O armazém industrial oferece flexibilidade e anonimato do ponto de vista arquitetônico, e a sua construção é mais accessível em termos orçamentários. A aparente falta de identidade específica que expõe esta tipologia acentuou a nova exploração em questões de pluralismo. Isto, juntamente com a inspiração proveniente da obra suprematista White in White, de Kazimir Malevich, derivou em uma proposta compositiva aberta e indeterminada, que dilui os limites entre o fundo e a figura, a praça e a cidade, o edifício e o entorno.

Fotografia Filip Dujardin

A partir disto, gerou-se uma série de interações entre os pórticos: o sistema resultante foi chamado de “painéis platônicos”. Em vez de entender estes elementos do ponto de vista da engenharia como uma composição de colunas e vigas, apresentam-se como planos abstratos recortados.

Sistema de Painéis Platônicos – alfabeto de hieróglifos

Para alcançar este nível de abstração foi necessário eliminar todos os detalhes, simplificando especialmente o design das articulações entre as partes. Os pórticos superdimensionados permitem enfatizar ainda mais a ideia de plano abstrato, transformando-o em um plano de fundo que permite que a cenografia da vida do mercado ocupe o centro da cena.

Fotografia Filip Dujardin

O Mercado de Bruxelas foi publicado na PLOT 38.

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Arquiteto ORG Permanent Modernity

Equipe  Alexander D’Hooghe, Natalie Seys, Luk Peeters, Wim Francois, Katrien Theunis, Steve Swiggers, Sanne Peeters, , Griet Kuppens, Kobi Ruthenberg, Pierre Dugardyn, Larisa Ovalles, Raf De Preter, Joseph O’Connor, Theodosios Issaias, Yen Van Der Voort, Felix Lauffer, Andrew Corrigan, Michiel De Potter, Nida Rehman, Maria Simon

Área  21.000 m2 (construída)

Localização  Bruxelas, Bélgica

Anos  2011-2015

Construção  Jacques Delens NV

Projetos complementares  Environmental – TPF Engineering & 3E (estruturas, instalações e iluminação)

Cliente  Abattoir NV

 

Fotografia  Filip Dujardin

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