Terrassenhaus Berlin / Lobe Block

Com uma deliberada intenção por desafiar as regulações urbanas, o escritório Brandlhuber+ propôs um esquema atípico para um edifício híbrido situado em um bairro de Berlim.

Fotografia Erica Overmeer

Contra a norma

Michaela Friedberg e Olaf Grawert

Com o Terrasenhaus Berlin / Lobe Block, os escritórios Brandlhuber + Emde, Burlon / Muck Petzet Architects buscaram responder a uma constante presente no mercado: o aumento no valor dos imóveis e no custo total da construção, que pressiona os arquitetos e construtores a optarem por soluções que desprezam as qualidades sociais ou culturais. Em vez de ceder a esta pressão, este empreendimento substituiu o benefício econômico a favor do espaço coletivo.

Axonométrica
Fotografia David von Becker
Fotografia David von Becker

O projeto surgiu de uma iniciativa particular que procurava criar um edifício de exposições e estúdios para uso público e privado semelhante ao Brunnenstrasse 9, o edifício de escritórios e galerias, propriedade dos arquitetos. Após a compra do antigo armazém em Berlim-Wedding, o cliente entrou em contato com os arquitetos para desenvolverem um edifício de uso misto localizado num bairro com uma diversidade de usos e formas, composto por conjuntos comerciais e residenciais. O principal objetivo do cliente foi preservar o espaço externo e torná-lo acessível aos usuários do edifício e à população do bairro.

Nível 0,5
Térreo
1° andar
2° andar
3° andar
4° andar

Ao contrário da ideia original de um empreendimento de pequena escala, os arquitetos propuseram um projeto maior, argumentando que, como proprietário, o cliente tinha a responsabilidade de explorar o uso do terreno e sua localização na cidade. Para isto, basearam-se em um plano de zoneamento de 1958 que permitia a construção de uma estrutura com até cinco andares para uso comercial.

Fotografia Erica Overmeer
Fotografia Erica Overmeer

O partido volumétrico faz uma releitura da casa escalonada – contemporânea e adaptada ao lugar –, replicando o solo cinco vezes em forma de terraços parcialmente sobrepostos. Esses terraços foram criados por meio de sucessivos recuos nas lajes, definidos pelo comprimento das escadas exteriores cujos degraus seguem a proporção alemã de 19:20 cm. Esta operação gerou terraços com cinco metros de profundidade, para onde se amplia a área dos apartamentos. Como consequência desse escalonamento na fachada posterior do edifício, produziu-se uma forma negativa na fachada oposta, de frente para a rua, a qual foi concebida como um grande espaço público coberto.

Fachada sul
Fachada norte
Corte longitudinal
Corte transversal

Em termos gerais, o invólucro do edifício está construído em concreto e madeira compensada, e abriga apenas os núcleos centrais com elevadores e banheiros. Os demais elementos construtivos, como as divisões espaciais, são determinados e executados pelos próprios usuários, de acordo com as suas necessidades. Embora o projeto cumpra atualmente com as normas legais de um edifício comercial, ele traz a intenção de superar a divisão entre a moradia e o trabalho, entre o uso comercial e residencial, questionando a legislação existente.

Fotografia David von Becker
Fotografia David von Becker

Na arquitetura, as normas sociais estruturam nossas formas de convivência e muitas vezes limitam a complexidade das interações sociais. Ao mesmo tempo, essas normas conformam um cenário sobre o qual os usuários podem se comportar de forma livre e segura. O Terrassenhaus Berlin / Lobe Block consegue expor as tensões entre o público e o privado, introduzindo um novo modelo de construção para o contexto urbano. A ampla dimensão dos terraços cria um distanciamento que contribui para a privacidade, enquanto as escadas exteriores – que conectam o jardim comunitário no térreo com o terraço público na cobertura – induzem vários tipos de encontros, tanto desejados como imprevistos.

Fotografia Erica Overmeer
Fotografia Erica Overmeer

O projeto foi publicado na PLOT 50, Mundos Compartilhados, junto com um texto de Arno Brandlhuber, Olaf Grawert e Anh-Linh Ngo.

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Arquiteto Brandlhuber+ Emde, Burlon / Muck Petzet Architects

Equipe de projeto  Luise Angelmaier, Sarina Arnold, Pierre Alexandre Bardat, Tünde Bognar, Romina Falk, Ilaria Giacomini, Tobias Hönig, Korbinian Luderböck, Callum McGregor, Martha Michalski, Birgit Müller, Alexine Sammut, Eva Sievert Asmussen, Markus Rampl, Christian Rapp, Javiera Sanhueza, Naomi Steinhagen, Tareq Tamimi, Eugenio Thiella, Duy An Tran, Jacopo Vantini, Lukas Vögel, Marco Wagner, Wolfram Winter, Ksenija Zdesar, Natalia Zhukova

Projetos complementares  Y-Ingénierie, Bollinger & Grohmann, Alternative, Novorest

Cliente  Etablissement Public Paris Saclay (EPPS)

Orçamento  EUR 6.500.000

 

Fotografia  Erica Overmeer / David von Becker

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