Pavilhão de verão

A estrutura temporária projetada por Sol Camacho abrigou concertos, oficinas e exposições no jardim da Casa de Vidro.

Fotografia Fernando Schapochnik

Além de ser a primeira obra construída pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi em São Paulo e a sua residência com o jornalista e colecionador Pietro Bardi durante quase cinquenta anos, a Casa de Vidro, que recentemente se tornou Instituto Bardi / Casa de Vidro,  é em si um ícone da arquitetura moderna latino-americana e foi cenário tanto da produção arquitetônica, artística e literária do casal, quanto um espaço de encontro de artistas, intelectuais e políticos de todo o mundo.

Desde 2017, sob a direção da arquiteta mexicana Sol Camacho e do curador Waldick Jatobá, o Instituto renovou o seu programa a fim de aprofundar o trabalho realizado anteriormente e produzir uma série de eventos que renovam a proposta curatorial e abrem a casa a novos visitantes.

Axonométrica do conjunto

Em consonância com as premissas de renovação, foi construído o Pavilhão de Verão, uma estrutura temporária projetada pela arquiteta Sol Camacho junto com a sua equipe do RADDAR. A estrutura, situada no jardim da Casa de Vidro, recebeu concertos, performances, palestras com arquitetos, aulas de desenho e gastronomia, workshops, exposições e atividades para crianças.

A intenção de ativar outras áreas da casa enquanto esta é utilizada como espaço de exibição, tanto para o arquivo Bardi quanto para diferentes mostras organizadas pelo Instituto, gerou a necessidade de construir um pavilhão efêmero no jardim onde é possível realizar outras atividades.

Axonométrica

O Pavilhão de Verão também ofereceu aos visitantes a oportunidade de passar mais tempo no jardim e explorar a natureza desse lugar. O projeto se inspirou nos desenhos de Lina Bo Bardi para diferentes estruturas temporárias e em outros projetos seus, como o restaurante Quati em Salvador. As linhas orgânicas do pavilhão surgem de um estudo preciso das árvores do jardim, do acesso ao estúdio e da rampa de pedra onde está apoiado, seguindo as possibilidades que oferece o espaço e evitando interromper o seu vínculo com a casa e a densa vegetação circundante.

Fotografia Fernando Schapochnik
Fotografia Fernando Schapochnik

Segundo Camacho, a ideia do projeto de Lina, no qual o jardim e a casa se complementam e a natureza não se subordina à arquitetura, também deveria se refletir na concepção do Pavilhão de Verão: “colocar pela primeira vez uma nova construção próxima à casa foi um grande desafio. A ideia da plataforma que se apoia sobre a rampa de acesso e que incorpora parte da grande quantidade de árvores existente no terreno, foi a resposta que demos ao lugar. As linhas curvas que definem a morfologia e os bancos surgiram quase que imediatamente ao esboçar a ideia de uma plataforma em balanço. A forma de ameba se relaciona com os muros baixos e com a varanda que Lina desenhou para o jardim. A lógica dos pilares negros se misturando com as árvores também segue a ideia de ligação com a paisagem”.

Embora o Pavilhão pareça seguir padrões de baixo desenvolvimento tecnológico, a sua forma não teria sido possível sem a utilização de uma placa de madeira laminada, um material muito utilizado na Europa e nos Estados Unidos que está começando a ser considerado no Brasil. A oportunidade de construir com essa tecnologia abriu também a possibilidade de considerar novos materiais e a perspectiva de incorporá-los ao contexto local.

Fotografia Fernando Schapochnik
Fotografia Fernando Schapochnik

Pavilhão de verão da Casa de Vidro foi publicado na PLOT 48.

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